sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Caminhos (Cordel baseado na obra Escrituras de Bartolomeu Campos Queirós - Bibliotecas Itinerantes)


Esta é daquelas histórias
Que acontecem em muitos atos.
Eu, brincando de poeta
No papel, faço retrato.
São passagens bem antigas,
        Mas verdadeiras de fato.



Há muito, muito tempo
Desde quando é mistério
Houve céu, terra e tudo mais
A vida levada a sério.
Começava ali assim
O Criador, seu ministério.

Dentre todas as criaturas,
Maria veio se destacar.
A jovem bendizia ao Senhor
Sem com o futuro se inquietar
Entoava a Escritura
       Sempre pronta pra ajudar.

Mas houve também José
Igualmente iluminado
Que Maria veio desposar
Numa aliança abençoada.
Vivia feliz o casal
Apesar de toda simplicidade.

Coisas simples os cercavam
Havia apenas o essencial.
A madeira por José talhada
A esposa tornava especial
Com suas rendas e tecidos
Numa ternura colossal.

José era artista da madeira
Doía-lhe ferí-la com pregos
Chagas lhe iam ao coração
Esculpir amaciava seu ego
Na dura lida do dia a dia,
A fé trazia-lhe sossego.

 O milagre se tornou viável
No voo do arcanjo Gabriel.
Maria acatou a profecia
Seduzida pelo recado do céu,
Fertilizada pela palavra,
O amargo se fez mel.

Marcharam com cuidado
Tomando a via de Jerusalém.
O amor do carpinteiro,
Também a destino de Belém,
Numa viagem cansativa
        Sem a ajuda de ninguém.

Não sei por quantos sóis
Nem mesmo quantas luas.
Longo, sei, era o caminho.
Levavam pouca coisa de sua
A caminho do recenseamento
Era a Lei, verdade nua e crua.

Não... não foi por acaso
Que não sobrou hospedaria
A Família Sagrada
Se completou na estrebaria
Refúgio coberto de palha
       Como está na Liturgia.

Foi como grito de liberdade
Que veio o choro do Menino.
De muito longe se ouviu
Veio cumprir seu destino.
Reis, lenhadores e pastores
Vieram adorar o pequenino.

Foram caminhos tortuosos
Que o Senhor escolheu.
Não é o fim da história
É parte do que aconteceu
Pra nos dar esperança
Foi que Jesus nasceu.









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