segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CORDEL: ACORDANDO PARA A VIDA


Este é mais um sonho
Que trago para o papel
Antes que se fosse
Feito as nuvens no céu
E seus belos desenhos:
Apesar de tanto empenho
Passam como carrossel.

Mas vamos ao tal sonho,
Pode chamar de utopia
Embora belo no cordel,
Mas me trouxe alegria
Servindo-me de alento,
Coração era só tormento:
Esperava o fim dos dias.

De repente, me vejo,
Num sol estonteante,
Em deserto infernal,
E ali, logo mais adiante,
Feito anjo, um guri,
Olhos azuis feito rubis,
Rosto alegre e radiante.

Fiquei desconcertado.
Pensei até ser miragem:
Naquele cenário horrível
Ver tão bela imagem.
Apiedei-me da criança
Com olhar de esperança
Parecendo uma mensagem.

Temendo assustá-la,
Falei com voz terna:
__ Lamento, ó criança,
Meu jeito até paterno,
Mas só consigo expressar
Por você o meu penar
Em tempos tão modernos.

Chamou-me ela, então,
Para junto de um poço
Que pensei ser um oásis.
Foi sem muito esforço
Que nos vimos refletidos.
Como que abduzido
Mirei a água do fosso.

A fala tranquila do garoto
Veio quebrar o silêncio
Com seu jeito angelical.
Falou com muita paciência:
___ Você diz que lamenta
E vejo que te atormentas.
O porquê, me dê ciência.

Olhando o espelho d’água
Pus-me a lhe mostrar
As várias mazelas do mundo:
___ Olha ali: povos a guerrear
Alguns por intolerância
Outros por pura ganância.
A paz onde é que está?

___O preconceito, continuei,
Ainda se faz presente
Em todas as suas formas.
O amor anda meio ausente.
Não entendemos as diferenças
Seja de cor, sexo ou crença,
De paz, o mundo está carente.

___ A fome, olha ela ali,
Afligindo nossas crianças.
Desperdício e corrupção
Acabando com a esperança
De uma vida muito melhor
E o que é ainda pior
Aumentando as diferenças.

___ E ali, naquele canto
Poluição e destruição:
Florestas devastadas
Por todo tipo de ocupação.
A água ficando escassa
E animais, devido à caça,
Correndo risco de extinção.

___ Viu só por que me aflijo
Em pensar que mundo
Pra ti vamos deixar?
O problema é que no fundo
Sabíamos no que ia dar.
A vida não iria suportar
Ser empurrada pro submundo.

Parei e voltei a fitá-la
Como a lhe perguntar
Se já era o suficiente
Pois acabara de falar.
Fez sim com a cabeça
E, por incrível que pareça,
Vi seu rosto se iluminar.

___ Tudo que falou, senhor,
É a mais pura verdade,
Mas a vida ainda persiste
Apesar dessa calamidade
Que tão bem destacou.
Você não me chocou
Apesar da dramaticidade.

___ A sua visão, ela continuou,
É mesmo muito pessimista.
Não quero que tenhas pena:
Repare em nossas conquistas!
Os bons ainda são maioria,
Gente que age com sabedoria
Com boas ações a perder de vista.

___ Pra cada um destes problemas
Que você acabou de destacar
Há um grande batalhão do bem
Que nunca deixará de lutar
Para procurar resolvê-los:
Tratam a vida com muito zelo
Para na Terra ela prosperar.

___ Não podemos fechar os olhos
Para a guerra e a violência
Que ceifam muitas vidas
(Até eu tenho consciência),
Mas veja ali naquele canto:
Pessoas que com grande encanto
Pro bem usam a inteligência.

___ Quanto ao preconceito,
Também devo reconhecer
Respeitar as diferenças
Muitos não sabem fazer.
Mas veja o progresso
Que ações de sucesso
Já ajudaram a promover.

___ Quanto à fome e à poluição
Que trazem dor e agonia,
Por milhões de bravos heróis
São combatidas todo dia.
Os problemas existem sim,
(Nesse momento olhou pra mim)
Mas reclamar virou mania.

E ainda olhando pra mim:
___ Pare você de reclamar.
Se ponha logo a caminho
Para aos outros se juntar.
Junte-se a um dos batalhões
E transforme em ações
Tudo que tem pra falar.

___ Venha lutar pela vida!
Ainda há muito o que fazer.
Ajude a cuidar da vida
Reaja, faça acontecer.
Só depende de nós
E não estamos a sós,
Mas ainda falta você!

___ Cuidar da vida... VIDA...
Acordei assim do sonho
Pela manhã que nascia.
Olhar pela janela me ponho.
Quanta vida lá fora!
Vem, vamos embora,
Cuidar dela eu te proponho.
Rogério Trindade

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